Gente, eu preciso confessar uma coisa porque a vergonha não cabe mais dentro de mim. Eu pego ônibus todos os dias e tinha um rapaz que eu via com frequência. Comecei a reparar que ele olhava para mim às vezes e, como uma pessoa completamente equilibrada e racional (contém ironia), passei dias analisando cada olhar como se estivesse investigando um crime. Até aí tudo bem. Só que um dia eu surtei e resolvi sentar do lado dele. SIM. DO LADO DELE. Puxei assunto, perguntei o nome dele e ainda ofereci uma bala. Coisa que a versão antiga de mim jamais faria. Eu estava me sentindo a própria protagonista de romance. Aí, num momento de coragem que até hoje não sei de onde veio, consegui o número dele. Passei o resto do dia me sentindo uma mistura de mulher empoderada com pessoa que acabou de cometer um crime federal. Depois mandei mensagem. E agora vem a parte triste. ELE NÃO RESPONDEU. Isso mesmo. Eu passei dias criando teorias, analisando sinais, imaginando destinos cruzados e, no fim, estou aqui encarando o silêncio. O pior não é nem ele não responder. O pior é que eu trabalhei uma manhã inteira revivendo a cena e pensando: “MEU DEUS, EU PEDI O NÚMERO DE UM DESCONHECIDO.” Sinceramente, não sei se fui corajosa, emocionada ou se preciso revisar a dosagem do meu remédio. Aceito julgamentos, conselhos e pedidos de cidadania em outro país para que eu nunca mais precise cruzar com esse rapaz.
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